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  • Henrique Girardi

Controles internos para evitar fraudes

Nos últimos anos a população brasileira se acostumou, infelizmente, com notícias de corrupção e fraudes envolvendo empresas e agentes públicos. Contudo, muitas pessoas ainda acham que esses casos são exclusivos a este ambiente empresarial e político.

Diante desses recentes episódios e o aumento na complexidade da segurança de informações e transações, o investimento em compliance, de modo geral, é cada vez maior. Muitas empresas estão investindo e aperfeiçoamento seus controles internos. Os bancos e as instituições financeiras são exemplos disso.

Ao longo de nossa trajetória na Girardi conhecemos e vivenciamos alguns casos de fraude envolvendo organizações, sem, necessariamente, envolvimento político. Para esclarecer algumas circunstâncias, fomos convidados a analisar alguns casos, de onde nossa investigação acabou por comprovar fraudes por iniciativa de colaboradores de confiança e até mesmo de sócios, que acabaram desviando recursos e prejudicando a empresa. Recentemente, em uma organização de médio porte em meio ao afastamento do profissional com mais de 20 anos de empresa, por problemas de saúde, foi possível identificar que este estava desviando recursos e manipulando os registros contábeis a fim de acobertar seus atos. Em outro caso, sócios compravam insumos, que não chegavam até a empresa. Em poucos meses o desvio representou volume considerável de recursos, acarretando em prejuízos e uma crise de imagem da empresa em sua comunidade. O acontecimento levou ao afastamento dos envolvidos. Para minimizar e evitar casos como esses, as empresas precisam adotar controles internos a fim de fiscalizar e manter o monitoramento das operações e atividades críticas, com maior risco. A matriz de risco, onde é feita a análise de probabilidade e impacto de cada variável, propicia a visualização e definição de quais aspectos são prioritários e devem ser trabalhados com maior atenção. Quanto maior a probabilidade e o impacto, maior o risco.


Outra boa prática recomendada, a segregação de funções, é muitas vezes desconsiderada e está, frequentemente, conectada com casos de fraudes. Quando o mesmo profissional é responsável por operar diferentes funções, que tem relação entre si, o risco aumenta, visto que muitas vezes essas funções são de caráter operacional e de fiscalização. Há muitos casos de fraudes quando essas duas funções são exercidas pela mesma pessoa. É importante que as organizações tenham funções de operação, supervisão e fiscalização distribuídas em diferentes profissionais. A própria governança corporativa da empresa deve ter essa missão de minimizar conflitos internos e externalidades. Esses casos descritos ferem os princípios de transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa, que formam os pilares das boas práticas de governança corporativa.

São muitas as alternativas possíveis para fiscalizar e estabelecer os controles internos a fim de minimizar os riscos das organizações. Cada organização precisa analisar e estabelecer a estrutura mais adequada para trabalhar esses fatores diante de sua complexidade. Muitas empresas de pequeno e médio porte trabalham essas questões no escopo de trabalho da controladoria e a auditoria externa independente. Outras adotam também comitês internos de auditoria e conselho fiscal. O importante é que cada empresa estude as melhores soluções e tenha esta pauta em constante análise para aperfeiçoar seus controles internos e evitar desvios, como os casos de fraudes.

Quais mecanismos de controle interno sua empresa vem implementando para minimizar casos de fraude?

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