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  • Henrique Girardi

ESG (Environmental, Social & Governance)

Logo no início da pandemia do coronavírus o tema de ESG entrou na minha pauta de reflexões. Recebi em um grupo de whatsapp uma mensagem, de um Professor, com algumas considerações e questionamentos, que compartilho abaixo. Em seguida faço alguns comentários.


“Chegou a hora da verdade para ESG. Agora, com a pandemia do coronavírus, poderemos ver se é apenas promessa de boas intenções ou se, realmente, ambiente, sociedade e governança são prioridades verdadeiras das empresas. As próximas semanas documentarão, com fatos (ou ausência deles), se o abundante capital privado participará decisivamente (ou não) do socorro a esta catastrófica crise”.

Concordo com o Professor. É um momento importante para ‘testar’ o tema. Muitas organizações ficaram em uma situação realmente difícil. Em modo sobrevivência. Com isso, perdemos muita força para aplicação dos temas, considerando que é um conceito ainda recente no país. Por outro lado, por ser um momento extremo, e tratando-se de um problema coletivo, que afeta a todos, pode ser um momento de fortalecimento desses temas. Precisamos de muita mobilização, coordenação e alinhamento para superar essa crise. Muitas organizações estão dando bons exemplos. Sempre teremos maças podres, mas acredito que a importância e relevância do tema são inquestionáveis e vieram para ficar ainda mais depois desse ‘novo normal’.

Costumo indicar a leitura do livro Capitalismo Consciente, de Raj Sisodia e John Mackey. Os autores defendem a reinvenção do sistema capitalista. O livro conversa muito com esse conceito de ESG.


Em primeiro lugar, ESG não é coisa de quem gosta de abraçar árvores. Os fatores ambientais, sociais e de governança já são muito debatidos por investidores, principalmente em países mais desenvolvidos. É uma visão sistêmica do funcionamento das organizações. Não se pode confundir o tema de ESG com sustentabilidade, consumo consciente, e outros conceitos relacionados ao marketing. O tema do ESG vem chamando bastante atenção desde o início da crise no país e em todo mundo. Por ser uma crise tão séria de saúde e se ter uma dificuldade tão grande de administração da situação, cada organização está sendo envolvida e impactada de alguma forma.


A seguir citarei alguns exemplos em cada uma das perspectivas. Os exemplos são infinitos, e cada empresa precisa entender e avaliar o que é melhor em seu caso particular. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, essas ações não são nulas em sua agregação de valor, e podem ajudar, sim, e muito, na performance da empresa. Na perspectiva ambiental podemos ver exemplos como efeitos climáticos, gestão de resíduos, fonte da matéria prima, consumo de água, biodiversidade, financiamento sustentável, energia renovável e utilização de terra e solo. Na perspectiva social estão as condições de trabalho, segurança e qualidade do produto e serviço prestado, saúde & segurança dos colaboradores, segurança química e atividades sociais e visão de comunidade. Na perspectiva da governança alguns exemplos são: os direitos dos acionistas, a independência e diversidade na composição do conselho de administração, política de remuneração da diretoria e fraudes. Aqui é importante ir além desses fatores que são constantemente lembrados. A governança é o sistema que dirige, monitora e incentiva as organizações, inclusive, nessas duas perspectivas anteriores, além de outras áreas mais, fazendo isso, equilibrando interesses de stakeholders, a fim de otimizar a performance da organização.


O tema ganhou novo destaque com a notícia de que executivos e líderes de grandes empresas enviaram carta ao vice-presidente, Mourão, pedindo ações e resultados em relação ao combate ao desmatamento na Amazônia. O assunto vem sendo cada vez mais debatido. A sociedade em geral exige respostas e ações efetivas do governo brasileiro. O país teve desgaste com França, no episódio do acordo de Paris, muitas críticas da opinião pública nos últimos meses, e recentemente recebeu carta de 29 fundos que criticaram o Brasil. Enquanto isso se vê um presidente que parece pouco preocupado, que despreza o problema e ataca direitos indígenas. Recentemente o governo recriou o Conselho Nacional da Amazônia, no qual Hamilton Mourão é presidente. Nos últimos dias o vice-presidente deu entrevistas demonstrando claramente essa pressão que fez sofrendo por parte de investidores e empresários.


Os fatores ambientais, sociais e de governança, precisam entrar na agenda prioritária de conselhos e diretorias. Em muitos países já existem relatórios específicos para a prestação de contas e avaliação do desempenho nessas três perspectivas. Precisamos valorizar o tema e colocar em prática. No Brasil com uma especial urgência em razão da grave desigualdade social e incapacidade pública. Precisamos de organizações mais responsáveis e conectadas com suas comunidades. Os fatores do ESG ajudam na construção de um novo sistema capitalista, defendido por Sisodia e Mackey.




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