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  • Henrique Girardi

"Não são suas condições, que determinam seu destino, mas suas decisões"

Nosso país vive um período muito conturbado. A pandemia, neste momento, está mais forte, aumentando o número de óbitos e colocando nossa sociedade, novamente, em um cenário muito difícil e incerto. É verdade que praticamente nunca saímos desse cenário, mas agora parece diferente. O tempo passa e não conseguimos avançar como gostaríamos. O sistema de saúde está em colapso. É muito preocupante!


Vamos continuar com todos os cuidados: máscara, álcool gel, distanciamento social, e todos os cuidados possíveis dentro da realidade de cada um!


Do ponto de vista da economia, a mudança, recente, na presidência da Petrobras trouxe grande repercussão e colocou a governança corporativa de estatais no centro da discussão. Vi, na verdade, o movimento como um grande acordo entre presidência e ministério da economia. Teoricamente não está tão alinhado com o que parece ser o princípio do Ministério da Economia, de liberdade econômica e de não intervenção direta em estatais. Como contrapartida e resultado da nova conjuntura política voltaram os projetos de privatizações que até então estavam engavetadas. Comentei aqui em um email anterior que a eleição na Câmara e Senado seria decisiva. Claro, sempre é! Basta fazer uma retrospectiva que veremos que as últimas eleições influenciaram muito nosso contexto político e econômico. Lira e Pacheco estão muito mais alinhados com o executivo e a perspectiva é de avançar em reformas e privatizações.


Essas últimas, inclusive, em ritmo acelerado. Mas não podemos avançar sem algumas reflexões. As privatizações precisam ser debatidas. A questão é como serão encaminhadas e feitas.


O Brasil também precisa de reformas, sem dúvida nenhuma!


A preocupação é sempre como elas serão feitas e quais os desfechos. A questão não é ser, meramente, contra ou a favor. No caso das privatizações, por exemplo, pouco se discute as regulações, os critérios e o papel das agências reguladoras. Quem quiser aprofundar mais sobre as perspectivas econômicas, sugiro assistir a entrevista do economista Marcos Lisboa ao programa Canal Livre, da Band.


Infelizmente as perspectivas econômicas estão se deteriorando. Todos os índices tiveram projeções ajustadas para baixo desde a virada do ano e, especialmente nas últimas semanas.


Seguem alguns destaques do último Boletim Focus divulgado pelo Branco Central para 2021:


- PIB (crescimento de 3,29%);

- IPCA (3,87%);

- SELIC (4,0%);

- Câmbio (R$/US$ = 5,10);

- Produção Industrial (4,30%);


Claro que todas as perspectivas dependem do "estrago" que a pandemia ainda pode causar e como esses resultados afetarão as projeções futuras. Por mais difícil que seja, acredito muito naquela ideia "não são suas condições, que determinam seu destino, mas suas decisões" (Tony Robbins). Precisamos ter tranquilidade, fazer uma boa análise e tomar decisões corretas neste momento. Que empresa você quer para o futuro? Que empresa surgirá após a pandemia? É preciso de um diagnóstico assertivo!


O sinal de alerta voltou a soar. Espera-se que as próximas semanas sejam esclarecedoras e possam nos dar alguma perspectiva.


Estamos vivendo um ponto de inflexão. Depois que ele começa é difícil prever onde vai parar e quais serão os resultados. Estamos em um momento de transformação, e precisamos saber que tipo de mudanças queremos.


Esse abre e fecha é ruim. Com certeza! Mas o pior é a falta de diálogo.


Em sociedade, em organizações, não pode ser ou azul ou vermelho. Ou sim ou não. Ou abre, ou fecha! É uma eterna grenalização! O RS sofre com isso, o Brasil, e nossas organizações também. Não vamos nos enganar! As soluções nem sempre estão nos extremos. Na verdade, acho que normalmente não estão e infelizmente estamos em um ambiente cada vez mais polarizado. Precisamos de gestores resolvedores de problemas, conciliadores e articuladores.


Trabalhando diretamente na gestão e governança de empresas familiares, tenho acompanhado de perto a rotina de gestores. É meu tema mais recente de observação, anotações e um futuro texto para compartilhar. Desde antes da pandemia vinha observando diretamente como trabalham, dedicam seu tempo, organizam suas demandas, se comunicam com subordinados, superiores e parceiros, e fazem a gestão acontecer.


Com a pandemia a rotina foi radicalmente alterada. O home office trouxe muitos desafios. Escrevi alguns textos sobre o assunto no Blog Reflexão Estratégica.


É impressionante como a adaptação, na grande maioria dos casos, foi feita de forma eficiente. A comunicação foi aprimorada. As empresas tem um grande potencial de aprendizado a capturar. Em muitos casos, as empresas não voltarão 100% ao físico. É incrível como algo estava embaixo dos nossos olhos e não enxergávamos. Fomos expostos a um novo cenário, e foi preciso muita adaptação.


Com o agravamento da crise sanitária e as dificuldades impostas para as organizações, a rotina da gestão está novamente sob stress máximo. É importante que cada gestor faça uma reflexão sobre as suas mudanças e adaptações. Muitos colegas aproveitaram este período e iniciaram atividades físicas, deram mais atenção a hábitos alimentares e buscaram ajuda psicológica. Não existe uma fórmula única. A melhor forma é aquela que se adapta melhor ao seu caso. É preciso ter disciplina para dar conta de uma rotina em home office. Há muitos casos de profissionais que estão com sobrecarga de trabalho. Lembre: exageros são sempre prejudiciais. Tenha uma vida equilibrada.


"Não são suas condições, que determinam seu destino, mas suas decisões".

(01/03/2021)