Buscar
  • Henrique Girardi

Temos que ter esperança, mas não podemos esperar.

Este ano promete, para muitos, ser um ano de recuperação. É o que, de certa forma, esperamos todos, considerando o ano difícil que foi 2020. A pior crise da história.


Em primeiro lugar quero dizer que sou otimista e gosto de passar otimismo aos outros. Obviamente que sempre olhando e respeitando a realidade em que vivemos. Então, caso você seja da turma que é pessimista de carteirinha, minha recomendação é parar agora de ler. Agora. Não perca tempo. Passe, mude de página. Bom, depois dessa rápida observação, volte rapidamente a 2020.


Por alguns momentos, achamos lá atrás, que em 2021 viveríamos o ano do pós-pandemia. Hoje, em abril, ainda estamos na expectativa de vacina, em Porto Alegre, para pessoas na faixa de 60 anos. Definitivamente a gestão pública foi um fracasso nesse sentido. Depois de um ano da pandemia, vivemos em março de 2021 o pior momento. Estamos hoje, infelizmente, com mais de 3 mil mortes diárias.


Para piorar assistimos na televisão desde o ano passado casos brutais de violência contra negros. Na última semana, a menos de 20 quilômetros do local onde George Floyd foi morto, outro homem negro foi assassinado após uma abordagem policial. Infelizmente essa mesma realidade pode ser observada no Brasil todas as semanas, todos os dias. Em pleno século XXI estamos presenciando barbaridades assim. Não conseguimos avançar o suficiente em direitos tão fundamentais para a existência e convivência humana em harmonia, com liberdade e justiça. Como podemos perceber é um trabalho árduo. No livro "Por que não podemos esperar" Martin Luther King aborda a luta pelos direitos civis em uma campanha não-violenta, com a permanente ideia de não parar e não esperar pelas mudanças. Falhamos como sociedade, e como podemos perceber, infelizmente, é um trabalho árduo. Para atingir resultados precisamos de trabalho contínuo e consistente.


A situação em que o mundo vive hoje exige ainda mais compaixão e empatia. Os otimistas e os pessimistas ficam brigando e discutindo sobre este momento, se as pessoas estão mais sensíveis e mais dispostas a contribuir com terceiros, que estão mais vulneráveis. Os argumentos e respostas você pode imaginar.


Vi pessoas nesse período fazendo doações financeiras, doações de alimentos, pequenas contribuições, grandes movimentos, e iniciativas espetaculares para contribuir com o próximo, que está em uma condição mais difícil. O símbolo disso tudo pode ser visto no exemplo dos profissionais de saúde e outras pessoas que em momentos de crise, de luto, estão auxiliando e ajudando como podem.


2020 pode ficar para sempre como o ano do caos, da pandemia, da quarentena, do home office. Pra mim ficará assim, e marcado pela dor e lembrança eterna de ter perdido meu irmão aos 40 anos de idade. Mas eu não posso reclamar de nada. Este ano ainda está sendo escrito e seja como for, precisamos ter esperança. Mas não podemos esperar! Para 2021 ser um ano de recuperação, só depende de nós. Vamos dar este significado. Temos que ter esperança em dias melhores, e precisamos construí-los.